
Acordou com o som irritante do despertador e logo o desligou. De tão sonolento que estava quase retornou ao leito para dar continuidade ao desejo de sua mente cansada. Retirou uma pedra de remela do olho esquerdo e uma esfera irregular e maciça de remela do olho direito. Sentiu o frio do chão do banheiro subir-lhe pelos pés até gelar seu corpo por completo em alguns segundos. Criou coragem e molhou o rosto esfregando-lhe com agilidade para aquecer novamente as maçãs das bochechas. Nem penteou o cabelo, de tão fria aquela água estava. Olhou mais uma vez para as cobertas e a cama quente flertando-o, mas decidiu sair logo do quarto, fazer um leite quente e terminar de se arrumar. Fez tudo em menos de 10 minutos. Colocou um casaco grosso e saiu descendo a rua deserta e neblinada daquela manhã. Andava contra o vento, com um lenço no bolso para o nariz com coriza e os documentos para bater o ponto no serviço. Tinha que ser rápido, senão perderia o ônibus. Resolveu apertar o passo, e junto com cada passo, o inverno pedia-lhe passagem, gelando sua espinha. O vento cortava-lhe a cara, como garras afiadas que tentam inocentemente fazer carinho. Ofegante, respirava pela boca e, todo feliz, voltou à infância ao se deparar com a fumaça que saia de sua quente boca de encontro com o gélido e úmido ar. Era a sensação de infância, de recordar seus ídolos hollywoodianos soltando fumaças de frio pela boca; tinha um charme naquilo tudo. Seu nariz já estava anestesiado com o frio, assim como suas orelhas, quando chegou ao ponto de ônibus. Todos os assentos cheios, até que viu o último banco vazio. Sentou, colocou Simon and Garfunkel no mp3 e relembrou do frio, dos casacos, dos abraços, dos frios inéditos na barriga, do cheiro do inverno, do cheiro, dos beijos, de tudo, dela. Abriu bastante a janela, convidando o vento gelado entrar para a sensação continuar. Abraçou forte a mochila, como quem queria a tudo se agarrar. E com essa sensação, adormeceu, até ser acordado pelo motorista, que cautelosamente, o acordava e avisava que era o fim do destino, hora de bater o ponto.
Que lindo… :}
Gostei muito!
Tava todo bravo (ôwn) hoje; onde arrumou inspiração?
Me dá um pouco?
E sim… eu deletei aquele post estranho. HAUahUA
Beeijos beijos beijos
:*
Por que sumiram os blogs favoritos, hein? Coisa estranha…